sábado, novembro 19, 2016

ENTRE LUZ E SILÊNCIOS



Vem!
Conversemos através da alma

Abra-se para mim
 como este botão em flor exibindo-se glorioso nesta luz da manhã!

Sem abrir a boca
Sem mexer os lábios
Apenas, com olhos nos olhos,
Vamos nos contar todos os segredos do mundo!


(Parodiando Rumi, em licença poética, nesta linda manhã de sol e céu de intenso azul após as muitas chuvas que abriram novembro)


quarta-feira, novembro 16, 2016

UM SONHO ABERTO



Talvez viver seja isto: frequentar diariamente um céu e um inferno que nos habitam, que nos frequentam, que fazem moradia dentro de nosso ser povoado de medos, mistérios, alegrias e perplexidades. 

Talvez viver seja essa percepção ora dilatada, ora limitada do que efetivamente somos ou pensamos ser diante de um Universo que se manifesta escancaradamente aberto, zombeteiro e cheio de novidades diante de nossos olhos infantis e curiosos. 

Talvez viver seja não sentir medo diante da imensidão do Portal que julgo escuro porque confere a todos que o atravessam a sua solidão e a solidez de sua invisibilidade. 

Talvez viver seja morrer de medo diante desse mesmo Portal!

Talvez viver seja este brincar de adivinhar, este jogo de intuições, este se contentar com  máscaras diante de um espelho  reflexo produzindo constantemente sombras opostas à luz, num singular baile a fantasias.

Talvez viver seja pensar que somos uma infinetesismal fração matemática organicamente cumprindo ciclos, abrindo e fechando círculos, desenhando infinitas espirais...


Na concha em que me encontro, vibra a ostra assustada que sou. Ainda não consegui fabricar a pérola do dia e já contemplo a noite que silenciosa chega. Espio o mundo, ora trêmula, ora animada. Quero tempo. Mais luz no azul. Para mim, o céu continua vasto e indecifrável, a praia, sem limites, minha trajetória, incompreensível e meu corpo, um sonho aberto ciclando as estações. 


segunda-feira, junho 06, 2016




Pavoa Misteriosa


É tão fácil perder o prumo.
Eu perdi o meu.
De repente me vi assim:
Desaprumada
Como se meus sapatos tivessem bicos tortos
e saltos em cadafalso.
Desaprumei
Desemplumei
Fiquei fora de mim
Andando por trilhas e trilhos desconhecidos
Falando notas soltas ao vento
Preciso urgente achar meu fio de meada
Dar linha a minha pipa
E voltar a voar solta no firmamento
Empinada, aprumada e
elegantemente emplumada.




quinta-feira, junho 13, 2013



Este é o Hula Hula das Ilhas Havaianas, 
onde também nasceu o Hoponopono. 
Vamos dançar nossas emoções, esperanças e curas !




MISTÉRIOS GOZOSOS

Silêncio!
Escuta as horas fazendo amor.
Sobem e descem o rio dos dias
copulando sonhos intensos nas noites
e à luz da manhã
oferecem estes sopros 
germinados de vida 
e esperança!



quarta-feira, junho 12, 2013















REFÚGIO

Te dou meu vazio
minha quietude
minha paz em luz.

Vem
Sou toda ventre aberto e ouvidos atentos
Desata em mim tuas fantasias!




segunda-feira, junho 10, 2013



GEO(CRIPTO)GRAFIA

Há dias em que não me entendo. 
Há dias em que não me re-conheço. 
Há dias em que eu me sinto estrangeira de mim  
e por mais que eu invada o espelho 
uma outra face continua me espreitando do escuro.



segunda-feira, julho 16, 2012

INDISCRETUDE



Tento colocar um pouco de ordem e lógica

na rotina de meu dia a dia.

Quero me sentir segura.

Mas a vida que invisível pulsa por entre as horas que silenciosas escorrem

vai reconfigurando novos desenhos no tapete do meu dia

E, de repente, sem prévio aviso

Eis que me vejo assim

Experimentando este sentimento de absoluto desamparo

Num chão interno que treme

E me desata esta vontade enorme de fugir

Sem saber pra onde

E nem ao menos de quê.



terça-feira, julho 10, 2012

domingo, junho 17, 2012

HOJE VOU DE LINDA...




Um escritor célebre em Paris entrou na loja de Mathilde certo dia.

Não estava procurando um chapéu.

Perguntou se ela vendia flores luminosas de que ele ouvira falar,

flores que brilhavam no escuro.

Disse que as queria para uma mulher que brilhava no escuro. Ele podia jurar que, quando a levava ao teatro e ela se sentava nos camarotes escuros com o vestido de noite, sua pele era luminosa como a mais primorosa concha marinha, com uma suave luminescência rosada.

E ele queria as flores para que ela usasse no cabelo.

(Anais Nin, Mathilde in Delta de Vênus)



MENS SANA IN SOCIEDADE INSANA



sábado, junho 16, 2012

PORQUE FOSTE O QUE TINHAS DE SER...

Porque foste o que tinhas de ser:


a paixão

o grito

o choro

o torpor

o tremor

a leveza

a tontura

o rodopio

a raiva

o ranger de dentes

o riso aberto

a gargalhada sonora

a loucura nua, ardente, pungente

o perdão

a náusea

o vômito

a insônia

o vazio

o pleno

o tudo

o nada

o desmaio

a dança

a contradança

as inumeráveis alianças

o brilho da minha voz

o tato

a pele

o cheiro

a língua

as mãos

o deserto

o desertor

a cratera

a ferida aberta

a febre

a cura

a cicatriz

o encaixe

o cobertor

minha canoa

meu rio

minha sardinha na brasa

meu sol

meu céu

meu lúmen

minha seiva

o sêmen

a saliva

o suor

a gosma

meu alimento

a cumeeira dos meus sonhos

o chão ardente de minhas loucas fantasias

o portal dos meus febris desejos

o sexo

o prazer

a dor

a vergonha e sua falta

a inocência

o sem senso

as muitas noites e dias de amor

as muitas horas sombrias de solidão

o milagre

o mistério

e agora este silêncio

tatuado com esta saudade e uma tristeza que não sai de mim...Não sai...





quarta-feira, junho 06, 2012

CIRCO LÚDICO EXPERIMENTAL

VIVER É ISTO?

ESTE ÚNICO ESPETÁCULO?

ESTA ÚNICA ESTRÉIA?

ESTA ÚNICA ACROBACIA?

ESTE SALTO NO ESCURO?

ESTE ABISMO ESCANCARADO?

ESTA BARRA, ESTE TRIZ?

ESTA SOLITÁRIA CORDA BAMBA?

UM ÚNICO TRAPÉZIO?

UMA ÚNICA CHANCE?

UM ÚNICO FIO?

UMA ÚNICA VERTIGEM?

UM ÚNICO E ÚLTIMO ATO DE LOUCURA?

ESTE SOLUÇO?

ESTE SUOR MISTURADO NUMA BRINCADEIRA ÚNICA?

UM ÚNICO GOZO?

UM ÚNICO GESTO?

UM ÚNICO SUSTO?

ESTA ÚNICA LABAREDA ACENDENDO UM CLARÃO NA NOITE ESCURA?

ESTE ÚNICO FOGO REDUZINDO-SE A BRASAS INCANDESCENTES E ESFRIANTES?

ESTA ÚNICA E ÚLTIMA SONORA GARGALHADA?

UM ÚNICO LADO?

UMA ÚNICA VERSÃO DOS FATOS?

E ESTA MOEDA COM UMA ÚNICA CARA?


E DEPOIS?...

MAIS NADA?...

SÓ SOMBRAS E SILÊNCIOS?...

SÓ DOR E MEMÓRIA?...

SÓ PÓ E HISTÓRIA?!!!...


ME RECUSO A ACREDITAR!

POBRE VIDA HUMANAMENTE INVENTADA!

ESTREITA DEMAIS...

FRÁGIL DEMAIS...

INSEGURA DEMAIS...


EU QUERO É MAIS!


PARA ALÉM DO SUSTO

ME REINVENTO

TEÇO TRAMAS, ENREDOS...

CONTO ESTÓRIAS PARA MIM MESMA

ME ACALENTO

E COM OS FIOS DA TRAMA QUE VOU TECENDO

VOU ELABORANDO UM SEGUNDO, TERCEIRO, QUARTO, QUINTO TRAPÉZIOS...

QUANTOS VIEREM...

QUANTOS SE FIZEREM NECESSÁRIOS...

E ABRINDO AS MÃOS NOS ESPAÇOS

VOU REFAZENDO NOVOS PERCURSOS

REDESENHANDO NOVOS ESPELHOS DE MUNDOS

COM NOVOS CAMARINS

NOVOS BASTIDORES

NOVOS PALCOS

NOVOS HOLOFOTES

NOVOS FIOS

NOVOS OUTRAMENTOS E DENTRO DELES

EU

VOCÊ

NÓS

NOSSOS AFETOS

EM NOVOS E INSUSPEITADOS CAOS

REGIDOS PELO GRITO DO INSTANTE:


- SENHORAS E SENHORES, ADMIRÁVEL PÚBLICO PAGÃO!

EIS-NOS AQUI DE NOVO

EM NOVAS E EMOCIONANTES PIRUETAS

E ARRISCADAS ACROBACIAS!

BENVIDOS À MAGIA DA VIDA!





domingo, junho 03, 2012

A LOUCA DA CASA



Parodiando Clarice (a Lispector!), busco ser legível quase no escuro(para-mim-mesma-em-primeiro-lugar-evidentemente-e-de-preferência!)


Procuro uma compreensão que seja só minha. Somente minha e de mais ninguém. Às vezes penso que nem você, nem ninguém precisa me entender. Não estou obrigada a fazer parte da espécie humana inteligível, decifrável, comunicável. Quem quiser que perca tempo, mas seres humanos serão sempre assim: INDECIFRÁVEIS AINDA QUE PALATÁVEIS!

(abroparênteses):

É... COM O PERDÃO DA PALAVRA,

FODER É BOM, VAMOS SER REALISTAS!

E - AGORA JÁ SEM O PERDÃO DA PALAVRA! -

TALVEZ A MELHOR PARTE DA VIVÊNCIA NESTE NOSSO ESTRANHO LATIFÚNDIO SEJA EXATAMENTE ESTA:

COMER, BEBER E FAZER AMOR, SEM O MENOR PUDOR!

(fech0parênteses e pontuo sem discussão!).


Bom... mas voltando ao assunto principal sem querer me enveredar por outros caminhos... Continuo perdida em labirintos procurando os fios de ariadne nesta minha estória de vida, pois preciso voltar a respirar... Continuo me sentindo este ser disparatado e incompreensível! Uma (quase)estrangeira dentro de mim mesma. Estranhos e insuspeitos sentimentos e arrepios invadem territórios de meu corpo e minha alma. Procuro ser gentil com eles - juro! - ainda que aos berros e com uma delicadeza que só eu consigo ter para comigo mesma, GRITO:


HELLO, STRANGERS!

WELCOME HOME!

ENTREM, POR FAVOR!

SENTEM-SE

E SINTAM-SE BEM À VONTADE!

ESPALHEM-SE...

A CASA É SUA!

SE INSTALEM CONFORTAVELMENTE, AMORES...

MAS,

SEM MAIORES ESTRAGOS,

PLEASE...


Mas...

a grande verdade é que...

eles...

estes estranhos e náufragos sentimentos que me habitam

nunca andam ou vêm sozinhos...


Fazem parte de uma gangue

e chegam em bando

fazendo barulho

tirando-me a paz e o sono

e provocando estragos outros

a começar por esta súbita falta de ar

este vazio no estômago

este buraco no peito

esta náusea diante daquilo que não consigo decifrar

e as muitas lágrimas que ainda insistem em brotar...




quarta-feira, maio 30, 2012

DOR II


Uivo para o que me é pesado e me assombra!

A dor que dilacera minhas entranhas-sentimentos não se nomeia

e declara morte às palavras!

Por isso mesmo, o som que sai de minha garganta-entranhas por vezes também explode como um rugido!




ORAÇÃO



Caminho pelas estranhezas da vida com os olhos arregalados, a boca seca e no peito a incômoda sensação de um buraco que se recusa a fechar seguido de uma falta de ar. Viver realmente é um ato experimental. Com certeza, a vida pode se encerrar sem maiores argumentos. Ponto. E não tem discussão!


Ante meu lamento e tosca incompreensão do que possa significar o insondável mistério da morte, a amiga me avisa: - Na vida, querida, só se movendo pela fé!


E eu que circulo por outros caminhos e entranhas..

Eu que sem querer acabo sempre optando pelas vias e vielas escorregadias da vida, entro em desassossego... Diante do imponderável e do mutante que deliberadamente medem minhas forças e emoções, fico procurando uma forma segura de reiventar essa caminhada inóspita que todos fazemos - particularmente eu agora! - por esse planetário chão tão amado-e-dilacerado ao mesmo tempo.

Meu problema é que não quero bíblias, não quero evangelhos, não quero alcorões, não quero religiões humanamente codificadas, catequisadas, com respostas bem explanadas...

Desculpem-me, Não!

Mas... Não nego: Preciso de um farol!

Sim, admito, estou perdida! E a noite está escura! E densa!


Mas, tenho procurado rezar.


E em minhas orações peço ao Grande Deus para que seja bondoso comigo e materialize em mim o faro, a audição, a visão, o tato e a percepção para compreender e ao mesmo tempo aceitar o quanto as coisas podem ser ora doces ou amargas, ora ásperas ou suaves, ora belas e alegres ou feias e tristes... apesar de todos os grossos agasalhos, dos felpudos cobertores, das confortáveis almofadas, dos casacos de pelúcia, dos travesseiros de pena, das luvas de pelica, dos óculos de lentes coloridas, dos chapéus de largas abas com que procuramos nos proteger...


Recito a Ele minha humanidade:

- Ó meu Deus, carente estou e vulnerável sou! Libera em mim afetos para que eu possa abraçar todos os fatos e circunstâncias com amor. Acolha minhas necessidades. Agasalhe minhas lembranças e me mostre no mapa deste estranho território em que ora piso um lugar onde eu possa depositar em paz minhas saudades e me fazer seguir adiante pela estrada da vida contemplando com serenidade os novos e imponderáveis espaços por onde o Ser objeto do meu afeto agora circula. Amém!